Atrás daquela montanha
tem uma flor amarela;
dentro da flor amarela,
o menino que você era.
Porém, se atrás daquela
montanha não houver
a tal flor amarela,
o importante é acreditar
que atrás de outra montanha
tenha uma flor amarela
com o menino que você era
guardado dentro dela.
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Talvez o vento saiba (Ivan Junqueira - 1934)
Talvez o vento saiba dos meus passos,
das sendas que os meus pés já não abordam,
das ondas cujas cristas não transbordam
senão o sal que escorre dos meus braços.
As sereias que ouvi não mais acordam
à cálida pressão dos meus abraços,
e o que a infância teceu entre sargaços
as agulhas do tempo já não bordam.
Só vejo sobre a areia vagos traços
de tudo o que meus olhos mal recordam
e os dentes, por inúteis, não concordam
sequer em mastigar como bagaços.
Talvez se lembre o vento desses laços
que a dura mão de Deus fez em pedaços.
das sendas que os meus pés já não abordam,
das ondas cujas cristas não transbordam
senão o sal que escorre dos meus braços.
As sereias que ouvi não mais acordam
à cálida pressão dos meus abraços,
e o que a infância teceu entre sargaços
as agulhas do tempo já não bordam.
Só vejo sobre a areia vagos traços
de tudo o que meus olhos mal recordam
e os dentes, por inúteis, não concordam
sequer em mastigar como bagaços.
Talvez se lembre o vento desses laços
que a dura mão de Deus fez em pedaços.
Poema nascido entre as cinzas (Ivan Junqueira - 1934)
Não, não chamemos ninguém.
Tampouco façamos barulho.
Essa algazarra, esse zunzum
de nada valerão agora:
o que há pouco era vertigem
em pó se desmanchou.
Fiquemos, pois, imóveis.
E observemos ali, na penumbra,
onde meigamente um todo se dissipa,
as dádivas esquecidas pelo tempo.
São poucas: um fragmento
cloroformizado de aurora, um trecho
agonizante de magia, um afago
de suor evaporado.
Guardemos as dádivas
e, no abismo que desabrocha
- rosa da madrugada -
em nossa carne deserta, sepultemos
a espessa, subterrânea nostalgia
deste pálido carnaval feito de ver.
Tampouco façamos barulho.
Essa algazarra, esse zunzum
de nada valerão agora:
o que há pouco era vertigem
em pó se desmanchou.
Fiquemos, pois, imóveis.
E observemos ali, na penumbra,
onde meigamente um todo se dissipa,
as dádivas esquecidas pelo tempo.
São poucas: um fragmento
cloroformizado de aurora, um trecho
agonizante de magia, um afago
de suor evaporado.
Guardemos as dádivas
e, no abismo que desabrocha
- rosa da madrugada -
em nossa carne deserta, sepultemos
a espessa, subterrânea nostalgia
deste pálido carnaval feito de ver.
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