soltar pipa no eixão
nadar e pescar no paranoá
comer pastel de queijo na rodoviária
estacionar no setor comercial sul
voltar da festa a pé, altas horas
catar gabiroba perto da catedral
namorar embaixo do bloco
cruzar a L2 de patins e a W3 de skate
pegar um grande circular e circular
de mãos dadas com o banco
ver estrelas, muitas estrelas
pescar no riacho fundo,
que hoje atravesso a pé
erick volta do parquinho com semente de
leucena na mão e pergunta: são essas as
sementes que você colocou na minha
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Tempos Edax Rerum (Millôr Fernandes - 1923 - 2012)
Sei, não é lisonjeiro
Mas você é do tempo
Em que cruzeiro
Era dinheiro
Ele do tempo
Em que o Brás
Era tesoureiro
E eu do tempo
Em que relógio
Tinha ponteiro
Mas você é do tempo
Em que cruzeiro
Era dinheiro
Ele do tempo
Em que o Brás
Era tesoureiro
E eu do tempo
Em que relógio
Tinha ponteiro
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Poemeu do Realista Radical (Millôr Fernandes - 1923 - 2012)
Não, ele nunca duvidou
Que a noite desceria
Que o dia surge apenas
Pra trazer a noite do outro dia
Sempre desprezou
Os atos de coragem
Jamais ignorou
Que o bem é uma miragem
E que (como no princípio
E no meio -
A vida não dá
Colher de chá)
No fim o mal
Também triunfará.
Que a noite desceria
Que o dia surge apenas
Pra trazer a noite do outro dia
Sempre desprezou
Os atos de coragem
Jamais ignorou
Que o bem é uma miragem
E que (como no princípio
E no meio -
A vida não dá
Colher de chá)
No fim o mal
Também triunfará.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Cidadezinha qualquer (Carlos Drummond de Andrade - 1902 - 1987)
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Exercício n. 1 (Hilda Hilst - 1930 - 2004)
Se permitires
Traço nesta lousa
O que em mim se faz
E não repousa:
Uma Ideia de Deus.
Clara como Cousa
Se sobrepondo
A tudo que não ouso.
Clara como Cousa
Sob um feixe de luz
Num lúcido anteparo.
Se permitires ouso
Comparar o que penso
A Ouro e Aro
Na superfície clara
De um solário.
E te parece pouco
Tanta exatidão
Em quem não ousa?
Um Ideia de Deus
No meu peito se faz
E não repousa.
E o mais fundo de mim
Me diz apenas: Canta,
Porque à tua volta
É noite. O Ser descansa.
Ousa.
Traço nesta lousa
O que em mim se faz
E não repousa:
Uma Ideia de Deus.
Clara como Cousa
Se sobrepondo
A tudo que não ouso.
Clara como Cousa
Sob um feixe de luz
Num lúcido anteparo.
Se permitires ouso
Comparar o que penso
A Ouro e Aro
Na superfície clara
De um solário.
E te parece pouco
Tanta exatidão
Em quem não ousa?
Um Ideia de Deus
No meu peito se faz
E não repousa.
E o mais fundo de mim
Me diz apenas: Canta,
Porque à tua volta
É noite. O Ser descansa.
Ousa.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Tenho medo de ti e deste amor (Hilda Hilst - 1930 - 2004)
Tenho medo de ti e deste amor
Que à noite se transforma em verso e rima.
E o medo de te amar, meu triste amor,
Afasta o que aos meus olhos aproxima.
Conheço as conveniências da retina.
Muita coisa aprendi dos seus afetos:
Melhor colher os frutos na vindima
Que buscá-los em vão pelos desertos.
Melhor a solidão. Melhor ainda
Enlouquecendo os meus olhos, o escuro,
Que o súbito clarão da aurora vinda
Silenciosa de vãos de um alto muro.
Melhor é não te ver. Antes ainda
Esquecer de que existe amor tão puro.
Que à noite se transforma em verso e rima.
E o medo de te amar, meu triste amor,
Afasta o que aos meus olhos aproxima.
Conheço as conveniências da retina.
Muita coisa aprendi dos seus afetos:
Melhor colher os frutos na vindima
Que buscá-los em vão pelos desertos.
Melhor a solidão. Melhor ainda
Enlouquecendo os meus olhos, o escuro,
Que o súbito clarão da aurora vinda
Silenciosa de vãos de um alto muro.
Melhor é não te ver. Antes ainda
Esquecer de que existe amor tão puro.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Acreditei que se amasse de novo (Ana Cristina Cesar - 1952 - 1983)
Acreditei que se amasse de novo
Esqueceria outros
Pelos menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
Organizei a memória em alfabetos
Como quem conta carneiros e amansa
No entanto flanco aberto não esqueço
E amo em ti os outros rostos.
Esqueceria outros
Pelos menos três ou quatro rostos que amei
Num delírio de arquivística
Organizei a memória em alfabetos
Como quem conta carneiros e amansa
No entanto flanco aberto não esqueço
E amo em ti os outros rostos.
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