Eu soube de um país à beira-mar,
à beira-pesadelo, à beira-pranto...
De insônias e tristezas no cantar,
do sonho, que a tardar, doía tanto!
Eu soube de um país que teve um cais
e um barco que largou ao mundo além...
Que foi e que voltou por entre os ais
e sempre desse além ficou refém...
Eu soube de um país à beira-fado,
guitarra dedilhando a decadência...
Amante, entre grinaldas, mal-amado,
cativo de masmorras e de ausência...
Eu soube de um país que se rendeu,
num dia de novembro, e se perdeu...
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sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Poema para Maria Magdala (José-Augusto de Carvalho - 1937)
Que manto de silêncio assim te esconde,
perdida sob névoa e banimento?
Já nem o eco à minha voz responde!
Até te silencia a voz do vento!
A boa nova, espanto e maravilha,
aos outros que ficaram, tu levaste.
Eleita, confirmaste, na partilha,
a força da raiz na frágil haste.
O turbilhão dos tempos te tragou.
Das trevas sem registo e sem memória,
a lenda que o sem tempo deslumbrou
no todo o sempre escreve a tua história.
Na tela onde o pintor te quis dilecta,
eu vivo a minha angústia de poeta.
perdida sob névoa e banimento?
Já nem o eco à minha voz responde!
Até te silencia a voz do vento!
A boa nova, espanto e maravilha,
aos outros que ficaram, tu levaste.
Eleita, confirmaste, na partilha,
a força da raiz na frágil haste.
O turbilhão dos tempos te tragou.
Das trevas sem registo e sem memória,
a lenda que o sem tempo deslumbrou
no todo o sempre escreve a tua história.
Na tela onde o pintor te quis dilecta,
eu vivo a minha angústia de poeta.
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