sábado, 26 de março de 2011

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio (Pablo Neruda - 1904-1973)

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que popagam o fogo;
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te diretamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

2 comentários:

  1. As sem razões do amor...
    Perfeito!
    Abç

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  2. E às vezes nem há razão, só se ama. Obrigada pela visita!

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