sábado, 2 de abril de 2011

Ao longe os barcos de flores (Camilo Pessanha - 1867-1926)

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, de carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há de remi-la?
Quem sabe a dor que em razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...

3 comentários:

  1. Oi Maíra,
    Achei tão perfeita a sintonia da imagem com o poema. Bonito.
    Abç

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  2. Obrigada, Will! Seja sempre bem vindo aqui.

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  3. Música triste esta. E bela. Muito.

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