sexta-feira, 13 de maio de 2011

Budismo moderno (Augusto dos Anjos - 1884-1914)

Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharada roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah, Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

2 comentários:

  1. Estranho estilo. Mas agradável:)

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  2. Conhecido entre nós como o poeta da morte... e do espanto! Adoro!!!

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