segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Destino sertanejo (Jairo Cézar - 1977)

Porque vim tenho que ir.
Vou nas asas da tanajura,
Que me guiarão pelas palmas,
E lá, verei caveiras bovinas,
Já quase todas sem alma,
Que chorarão pranto seco,
Em chão batido de terra,
Banhado todo de cinza,
Por cacimbão e cisterna.

E no ventre do menino,
Onde o vento faz morada,
Escassez tem de tudo,
Lombrigas de cara inchada.
E nos olhos, esse olhar lavrador,
Busca em um Cristo pintado,
A salvação do roçado
Privado de seu verdor.

E enfim, a melodia medonha
Do carro agreste de boi
Anuncia a chegada do Cordeiro,
Que vem redimir com a morte,
Coletora ingrata e forte,
O destino Sertanejo.

3 comentários:

  1. Mais uma vez obrigado, maíra.
    Este poema me é muito caro.

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  2. Este parece muito com o seu a saga nordestina. Gosto muito dos dois. E ainda terá mais por aqui. Um abraço, poeta!

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