segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Canção final (Carlos Drummond de Andrade - 1902 - 1987)

Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.

Um comentário:

  1. Olá Maíra
    Vim conhecer tua casa virtual e já deixei minhas raízes por aqui.
    Linda escolha! Um poema de amor fabuloso no incrível Drummond
    Beijos

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