segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Tu que me deste o teu cuidado... (Manuel Bandeira - 1886-1968)

Tu que me deste o teu carinho
E que me deste o teu cuidado,
Acolhe ao peito, como o ninho
Acolhe o pássaro cansado,
O meu desejo incontentado.

Há longos anos ele arqueja
Em aflita escuridão.
Sê compassiva e benfazeja.
Dá-lhe o melhor que ele deseja:
- Teu grave e meigo coração.

Sê compassiva. Se algum dia
Te vier do pobre agravo e mágoa,
Atende à sua dor sombria:
Perdoa o mau que desvaria
E traz os olhos rasos de água.

Não te retires ofendida.
Pensa que nesse grito vem
O mal de toda a minha vida:
Ternura inquieta e malferida
Que, antes, não dei nunca a ninguém.

E foi melhor nunca ter dado:
Em ti pungindo algum espinho,
Cinge-se ao teu seio angustiado.
E sentirás o meu carinho.
E sentirás o meu cuidado.

2 comentários:

  1. é dessa poesia que preciso...ai, Manuel.

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  2. Todos nós precisamos, não é mesmo? Seja bem vinda, Adriana, e volte sempre! Todo dia posto poemas diferentes aqui...

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