foi mal lhe mal
tratei
como um tratante
mal educado
muito infeliz
pouco elegante
espero que
você me dê
mais uma chance
serei atento
a seu desejo
daqui em diante
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Sócio do ócio (Chacal - 1951)
doce ociosidade
sacia minha sede de ser assim
largado no mundo caído na vida
terra mãe luz da manhã
doce sociedade ociosa sempre no cio
já aboliram a escravatura
pendure sua rede mate sua sede
de se espreguiçar
de volta ao princípio
onde o que come é comido
cru ou cozido
vou te devorar
viva nossa carne mortal
de partículas imortais
para pulsar
filhos do sol
até que se cumpra
nosso destino cósmico
sou sócio do ócio
eu sou
sacia minha sede de ser assim
largado no mundo caído na vida
terra mãe luz da manhã
doce sociedade ociosa sempre no cio
já aboliram a escravatura
pendure sua rede mate sua sede
de se espreguiçar
de volta ao princípio
onde o que come é comido
cru ou cozido
vou te devorar
viva nossa carne mortal
de partículas imortais
para pulsar
filhos do sol
até que se cumpra
nosso destino cósmico
sou sócio do ócio
eu sou
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Meio assim (Chacal - 1951)
tava atrasado.
o metrô ia sair.
corri.
a porta se fechou.
metade de mim foi.
outra ficou.
uma que já era,
ficou mais ensimesmada.
olhando o relógio
falando no celular.
a outra, tagarela,
levantava leviana
a saia das moças,
uivando intempestiva.
se alguém
encontrar uma delas,
avise a outra.
eu vou ver
se estou na esquina.
o metrô ia sair.
corri.
a porta se fechou.
metade de mim foi.
outra ficou.
uma que já era,
ficou mais ensimesmada.
olhando o relógio
falando no celular.
a outra, tagarela,
levantava leviana
a saia das moças,
uivando intempestiva.
se alguém
encontrar uma delas,
avise a outra.
eu vou ver
se estou na esquina.
domingo, 28 de julho de 2013
O poema digital (Chacal - 1951)
primeiro o poema nasce
como esse está nascendo agora.
não.
primeiro o poeta nasce.
e com ele a linguagem.
então, o poema nasce.
aqui nessa tela agora.
o poeta o articula
sai um barulho
ele harmoniza
abre uma janela:
entra um colibri
aí o músico, ai,
refaz o barulho
enfia uns bemóis
então vem a musa
num clic faz um clip.
onde tudo se funde
o ritmo no barulho
a cor na imagem
primeiro nasce o poema.
como esse está nascendo agora.
não.
primeiro o poeta nasce.
e com ele a linguagem.
então, o poema nasce.
aqui nessa tela agora.
o poeta o articula
sai um barulho
ele harmoniza
abre uma janela:
entra um colibri
aí o músico, ai,
refaz o barulho
enfia uns bemóis
então vem a musa
num clic faz um clip.
onde tudo se funde
o ritmo no barulho
a cor na imagem
primeiro nasce o poema.
domingo, 28 de agosto de 2011
O outro (Chacal - 1951)
só quero
o que não
o que nunca
o inviável
o impossível
não quero
o que já
o que foi
o vencido
o plausível
só quero
o que ainda
o que atiça
o impraticável
o incrível
não quero
o que sim
o que sempre
o sabido
o cabível
eu quero
o outro
o que não
o que nunca
o inviável
o impossível
não quero
o que já
o que foi
o vencido
o plausível
só quero
o que ainda
o que atiça
o impraticável
o incrível
não quero
o que sim
o que sempre
o sabido
o cabível
eu quero
o outro
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Poema para ser transfigurado (Chacal - 1951)
quem somos
o que queremos
logo logo saberemos
por enquanto
sabemos
que um gesto
uma palavra
podem transformar o mundo
qual deles
qual delas
saberemos já já
essa a missão do artista:
experimentar
por isso somos preciso
por dar nossas vidas
pelo que - ainda não - é
pelo que - quem sabe - será
o que somos o que queremos
saberemos juntos
já já
o que queremos
logo logo saberemos
por enquanto
sabemos
que um gesto
uma palavra
podem transformar o mundo
qual deles
qual delas
saberemos já já
essa a missão do artista:
experimentar
por isso somos preciso
por dar nossas vidas
pelo que - ainda não - é
pelo que - quem sabe - será
o que somos o que queremos
saberemos juntos
já já
quarta-feira, 23 de março de 2011
Como era bom (Chacal - 1951)
Como era bom
o tempo em que marx explicava o mundo
tudo era luta de classes
como era simples
o tempo em que freud explicava
que édipo tudo explicava
tudo era clarinho limpinho explicadinho
tudo muito mais asséptico
do que era quando eu nasci
hoje rodado sambado pirado
descobri que é preciso
aprender a nascer todo dia
o tempo em que marx explicava o mundo
tudo era luta de classes
como era simples
o tempo em que freud explicava
que édipo tudo explicava
tudo era clarinho limpinho explicadinho
tudo muito mais asséptico
do que era quando eu nasci
hoje rodado sambado pirado
descobri que é preciso
aprender a nascer todo dia
Tempo (Chacal - 1951)
no início era o começo.
o depois veio vindo devagar.
o antes veio depois do depois.
só quando esse se estabeleceu.
no princípio era o agora.
isso demorou até que
tudo virou antes e depois.
então uma revolução peluda
o agora voltou ao trono.
antes e depois viraram
falta do que fazer.
e tanto fizeram
que o agora virou tudo
e o tudo, nada.
de volta ao princípio
o agora congelou.
o antes fica pra depois.
o depois veio vindo devagar.
o antes veio depois do depois.
só quando esse se estabeleceu.
no princípio era o agora.
isso demorou até que
tudo virou antes e depois.
então uma revolução peluda
o agora voltou ao trono.
antes e depois viraram
falta do que fazer.
e tanto fizeram
que o agora virou tudo
e o tudo, nada.
de volta ao princípio
o agora congelou.
o antes fica pra depois.
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