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domingo, 11 de dezembro de 2011

Salvas fúnebres (João de Deus - 1830-1896)

Ditosa de uma augusta personagem,
que em exalando o último suspiro,
de quarto em quarto de hora ouve-se um tiro,
o que é de uma grandíssima vantagem.

Nós cá temos no luto outra linguagem,
que é o pranto, o silêncio e o retiro;
eles, tiros de peça! Não me admiro;
são pessoas de altíssima linhagem!

São pessoas reais; os mais, abortos
em que os cavalos do seu coche encalham,
e eles vão indo estáticos, absortos...

Não se lhes dá das lástimas que espalham,
e muito menos que, depois de mortos,
quebrem o sono os pobres que trabalham.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O seu nome (João de Deus - 1830-1896)

Ela não sabe a luz suave e pura
que derrama numa alma acostumada
a não ver nunca a luz da madrugada
vir raiando, senão com amargura!

Não sabe a avidez com que a procura
ver esta vista, de chorar cansada,
a ela... única nuvem prateada,
única estrela desta noite escura!

E mil anos que leve a Providência
a dar-me este degredo por cumprido,
por acabada já tão longa ausência,

ainda nesse instante apetecido
será meu pensamento essa existência...
E o seu nome, o meu último gemido.