Talvez um lírio. Máquina de alvura
Sonora ao sopro neutro dos olvidos.
Perco-te. Cabra que és já me tortura
guardar-te, olhos pascendo-me vencidos.
Máquina e jarro. Luar contraditório
sobre lajedo o casco azul polindo,
dominas suave clima em promontório;
cabra, o capim ao sonho preferindo.
Sulca-me, perdurando nos ouvidos,
laborada em marfim — luz e presença
de reinos pastoris antes servidos —,
teu pêlo, residência da ternura,
onde fulguras na manhã suspensa:
flor animal, sonora arquitetura.
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sábado, 8 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Lua secreta (Florisvaldo Mattos - 1932)
Conosco se parecem os desertos.
Quando seres gentis vão viver juntos,
é como acalentar sonhos defuntos,
quando melhor será vê-los despertos.
Se para mim são sempre bons assuntos
(os sonhos), seguem eles, sempre abertos
às batalhas da vida nos desertos,
se de vãs esperanças, devoto, unto-os.
Não se deve elidir a quem se ausenta
de oferecer um ombro, à mínima hora,
em que a lua socorre e cumprimenta.
Não há como fugir. Estrada afora,
muito, como de sábio, o corpo atenta:
amar, se precipício, nos melhora.
Quando seres gentis vão viver juntos,
é como acalentar sonhos defuntos,
quando melhor será vê-los despertos.
Se para mim são sempre bons assuntos
(os sonhos), seguem eles, sempre abertos
às batalhas da vida nos desertos,
se de vãs esperanças, devoto, unto-os.
Não se deve elidir a quem se ausenta
de oferecer um ombro, à mínima hora,
em que a lua socorre e cumprimenta.
Não há como fugir. Estrada afora,
muito, como de sábio, o corpo atenta:
amar, se precipício, nos melhora.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Claro (Florisvaldo Mattos - 1932)
Pelas tardes de fogo homens
pedras movem com capacetes
de sombra mergulhados
em ruas de verão e sal.
Nada me diz que as coisas
se passam como me dizem
além
da parede de vidro que nos divide
aquém
das algemas de sono que nos unem.
Sou como posso fiel
a meu projeto mesmo
que de pronto não o achem
meus olhos - anônimos
minhas mãos - rachadas
meus lábios - rebeldes
nos espaços burocráticos
nas relações de amizade
nos desertos duros da fome.
Liberdade é meu ser
e tempo. É o meu nome.
Razão - o meu sobrenome.
pedras movem com capacetes
de sombra mergulhados
em ruas de verão e sal.
Nada me diz que as coisas
se passam como me dizem
além
da parede de vidro que nos divide
aquém
das algemas de sono que nos unem.
Sou como posso fiel
a meu projeto mesmo
que de pronto não o achem
meus olhos - anônimos
minhas mãos - rachadas
meus lábios - rebeldes
nos espaços burocráticos
nas relações de amizade
nos desertos duros da fome.
Liberdade é meu ser
e tempo. É o meu nome.
Razão - o meu sobrenome.
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