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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Alguns gostam de poesia (Wislawa Szymborska - 1923 - 2012)

Alguns -
ou seja nem todos,
Nem mesmo a maioria de todos, mas a minoria.
Sem contar a escola onde é obrigatório
e os próprios poetas
seriam talvez uns dois em mil.

Gostam -
mas também se gosta de canja de galinha,
gosta-se de galanteios e da cor azul,
gosta-se de um xale velho,
gosta-se de fazer o que se tem vontade
gosta-se de afagar um cão.

De poesia -
mas o que é isso, poesia.
Muita resposta vaga
já foi dada a essa pergunta.
Pois eu não sei e não sei e me agarro a isso
como a uma tábua de salvação.

(Poema traduzido por Regina Przybycien)

Retornos (Wislawa Szymborska - 1923 - 2012)

Voltou. Não disse nada.
Mas estava claro que teve algum desgosto.
Deitou-se vestido.
Cobriu a cabeça com o cobertor.
Encolheu as pernas.
Tem uns quarenta anos, mas não agora.
Existe - mas só como na barriga da mãe
na escuridão protetora, debaixo de sete peles.
Amanhã fará uma palestra sobre a homeostase
na cosmonáutica metagaláctica.
Por hora dorme, todo enroscado.

(Poema traduzido por Regina Przybycien)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

As três palavras mais estranhas (Wislawa Szymborska - 1923 - 2012)

Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já se perde no passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
suprimo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
Crio algo que não cabe em nenhum não ser.


* Wislawa Szymborska, poeta polonesa, faleceu em 01/02/2012