Tão logo alguém se aproxima
joga-se no chão
finge ter sido espancado
roubado até o último vintém
Se o ajudam a erguer-se
abraça a alma caridosa
esvaziando-lhe a bolsa
O maligno o arrasta
através do fogo
através do vau e do redemunho
do lamaçal e do charco
põe facas em seu travesseiro
ratoeiras em sua sopa
Ele também
não faz por menos:
bebe pinga com o cachorro
joga dados viciados
cede o corpo a proxenetas
É fustigado nos albergues
nos hospitais públicos
e posto na rua a pontapés
quando o amor recupera a visão
Mostrando postagens com marcador Fabio Weintraub. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fabio Weintraub. Mostrar todas as postagens
sábado, 9 de junho de 2012
Barrabás (Fabio Weintraub - 1967)
Vocês não podem velar
o corpo do meu marido
ao lado desse aí
que a polícia acertou
Vocês me desculpem
imagino o sofrimento
perder um filho assim tão moço
Meu Cícero
morreu trabalhando
Um tiro pelas costas
às duas da manhã
Ao lado do desse aí
o corpo dele não vai gelar
Não adianta insistir
ao lado de bandido
meu marido não fica
o corpo do meu marido
ao lado desse aí
que a polícia acertou
Vocês me desculpem
imagino o sofrimento
perder um filho assim tão moço
Meu Cícero
morreu trabalhando
Um tiro pelas costas
às duas da manhã
Ao lado do desse aí
o corpo dele não vai gelar
Não adianta insistir
ao lado de bandido
meu marido não fica
Assinar:
Postagens (Atom)