meu filho pequeno, o Klaus,
pediu chupeta e disse
- a seu modo - (e eu entendi)
que ia dormir
pegou seu travesseirinho rosa
na sala e o pano branco no chão
- a babu - e dobrou-se sobre a cama
esse dias, já um pouco mais
crescido, perguntou:
qual a coisa maior, mais grande
do mundo? falei de edifícios,
baleias, sequóias, e ele:
- errou, é o amor!
Mostrando postagens com marcador Nicolas Behr. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nicolas Behr. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 30 de junho de 2014
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Receita (Nicolas Behr - 1958)
Ingredientes
dois conflitos de gerações
quatro esperanças perdidas
três litros de sangue fervido
cinco sonhos eróticos
duas canções dos beatles
Modo de Preparar
dissolva os sonhos eróticos
nos três litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração
leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas
corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos beatles
o mesmo processo usado com os
sonhos eróticos mas desta vez
deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver
parte do sangue pode ser
substituído por suco de groselha
mas os resultados não serão
os mesmos
sirva o poema simples
ou com ilusões
dois conflitos de gerações
quatro esperanças perdidas
três litros de sangue fervido
cinco sonhos eróticos
duas canções dos beatles
Modo de Preparar
dissolva os sonhos eróticos
nos três litros de sangue fervido
e deixe gelar seu coração
leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos
de gerações às esperanças perdidas
corte tudo em pedacinhos
e repita com as canções dos beatles
o mesmo processo usado com os
sonhos eróticos mas desta vez
deixe ferver um pouco mais e
mexa até dissolver
parte do sangue pode ser
substituído por suco de groselha
mas os resultados não serão
os mesmos
sirva o poema simples
ou com ilusões
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Poema anti-ajuda (Nicolas Behr - 1958)
felizes os fracos de espírito
pois estes têm gurus
felizes os que ainda botam fé
no ser humano
felizes os que sabem ler
e têm algo pra comer todos os dias
felizes os que criam o inferno
para depois prometer o paraíso
felizes os indiferentes, que não se
comovem com nada e sofrem menos
felizes os que mentem para si mesmos e
acreditam piamente nisso
felizes os infelizes, pois estes são os
verdadeiros iluminados
felizes os que nunca choram e, portanto,
não passam vergonha
felizes os que têm autoconfiança,
autoestima, automóvel
felizes os amigos dos poderosos,
que tudo querem, que tudo podem
felizes os que acreditam no amor de Cristo
pois estes não têm mais salvação
felizes os andarilhos, os indecisos, os
confusos, os sem-rumo-na-vida
felizes os que choram com facilidade pois
estes estão sempre reciclando
a água parada dos seus olhos, fazendo
chover nos seus corações
felizes os piegas, os românticos,
ultrapassados, bregas, os que falam de
amor sem medo do ridículo, nem que seja
pra faturar uma boa grana naquela
música que vive tocando no rádio e o
povão adora
felizes os que escrevem livors de auto-
ajuda e ganham muito dinheiro, muito dinheiro, que
é o que realmente importa, que é o que
realmente interessa
pois estes têm gurus
felizes os que ainda botam fé
no ser humano
felizes os que sabem ler
e têm algo pra comer todos os dias
felizes os que criam o inferno
para depois prometer o paraíso
felizes os indiferentes, que não se
comovem com nada e sofrem menos
felizes os que mentem para si mesmos e
acreditam piamente nisso
felizes os infelizes, pois estes são os
verdadeiros iluminados
felizes os que nunca choram e, portanto,
não passam vergonha
felizes os que têm autoconfiança,
autoestima, automóvel
felizes os amigos dos poderosos,
que tudo querem, que tudo podem
felizes os que acreditam no amor de Cristo
pois estes não têm mais salvação
felizes os andarilhos, os indecisos, os
confusos, os sem-rumo-na-vida
felizes os que choram com facilidade pois
estes estão sempre reciclando
a água parada dos seus olhos, fazendo
chover nos seus corações
felizes os piegas, os românticos,
ultrapassados, bregas, os que falam de
amor sem medo do ridículo, nem que seja
pra faturar uma boa grana naquela
música que vive tocando no rádio e o
povão adora
felizes os que escrevem livors de auto-
ajuda e ganham muito dinheiro, muito dinheiro, que
é o que realmente importa, que é o que
realmente interessa
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Saudades de Braxília (Nicolas Behr - 1958)
soltar pipa no eixão
nadar e pescar no paranoá
comer pastel de queijo na rodoviária
estacionar no setor comercial sul
voltar da festa a pé, altas horas
catar gabiroba perto da catedral
namorar embaixo do bloco
cruzar a L2 de patins e a W3 de skate
pegar um grande circular e circular
de mãos dadas com o banco
ver estrelas, muitas estrelas
pescar no riacho fundo,
que hoje atravesso a pé
erick volta do parquinho com semente de
leucena na mão e pergunta: são essas as
sementes que você colocou na minha
nadar e pescar no paranoá
comer pastel de queijo na rodoviária
estacionar no setor comercial sul
voltar da festa a pé, altas horas
catar gabiroba perto da catedral
namorar embaixo do bloco
cruzar a L2 de patins e a W3 de skate
pegar um grande circular e circular
de mãos dadas com o banco
ver estrelas, muitas estrelas
pescar no riacho fundo,
que hoje atravesso a pé
erick volta do parquinho com semente de
leucena na mão e pergunta: são essas as
sementes que você colocou na minha
sábado, 2 de março de 2013
Cometa poesia (Nicolas Behr - 1958)
era noite de julho de 1967
mamãe nos acordou de madrugada
para vermos o cometa ikeia-seki
(ela sabia que nós
nunca o esqueceríamos)
o cometa seguiu seu curso
nós voltamos para a cama
caixeiro-viajante do céu,
o cometa aparece e desaparece
o cometa volta
a infância não
mamãe nos acordou de madrugada
para vermos o cometa ikeia-seki
(ela sabia que nós
nunca o esqueceríamos)
o cometa seguiu seu curso
nós voltamos para a cama
caixeiro-viajante do céu,
o cometa aparece e desaparece
o cometa volta
a infância não
sexta-feira, 1 de março de 2013
Brasília enigmática (Nicolas Behr - 1958)
brasília, faltam exatos 3.232 dias
para o nosso acerto de contas
me deves um poema
te dou um olhar terno
na beira do paranoá
pego um pedaço de pau
entre um pneu velho
e um peixe morto
(uma garça
por testemunha)
não me reconheces
não te reconheço
para o nosso acerto de contas
me deves um poema
te dou um olhar terno
na beira do paranoá
pego um pedaço de pau
entre um pneu velho
e um peixe morto
(uma garça
por testemunha)
não me reconheces
não te reconheço
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Das vantagens de ser confuso (Nicolas Behr - 1958)
olhar e ver tudo torto, errado
das vantagens de ser incoerente
demente, temente, tenente, patente
das vantagens de ser repetititititivo
das vantagens de ser livre, foda-se!
das vantagens de se fingir de morto
qual peixe na feira, olho aberto, parado
das vantagens de ser totalmente louco,
pirado, sem nenhum compromisso com
nada, escravo da mente, sem consciência
celular, sem celular, sem a porra da
agenda, sem rima, sem nada,
só a loucura insana a te emoldurar
a alma
loucura - esta bela armadura
esta couraça intransponível
este colete a prova de tudo
este poema, impiedoso,
a te perfurar o coração
das vantagens de ser incoerente
demente, temente, tenente, patente
das vantagens de ser repetititititivo
das vantagens de ser livre, foda-se!
das vantagens de se fingir de morto
qual peixe na feira, olho aberto, parado
das vantagens de ser totalmente louco,
pirado, sem nenhum compromisso com
nada, escravo da mente, sem consciência
celular, sem celular, sem a porra da
agenda, sem rima, sem nada,
só a loucura insana a te emoldurar
a alma
loucura - esta bela armadura
esta couraça intransponível
este colete a prova de tudo
este poema, impiedoso,
a te perfurar o coração
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Poema desprezível (Nicolas Behr - 1958)
eu gosto de você porque você deixa
que eu te use que eu te exiba
como um troféu com um trunfo
eu gosto de você porque você finge
que gosta de mim que me aceita
quando no fundo sei que me odeia
eu gosto de você porque você sabe
que sou machista
egoísta e você nem liga masoquista
eu gosto de você
porque você acha meus
poemas incríveis quando
sabemos são sofríveis
eu gosto de você
porque não consigo pensar em você
se pensasse talvez te desprezasse
que eu te use que eu te exiba
como um troféu com um trunfo
eu gosto de você porque você finge
que gosta de mim que me aceita
quando no fundo sei que me odeia
eu gosto de você porque você sabe
que sou machista
egoísta e você nem liga masoquista
eu gosto de você
porque você acha meus
poemas incríveis quando
sabemos são sofríveis
eu gosto de você
porque não consigo pensar em você
se pensasse talvez te desprezasse
Assinar:
Postagens (Atom)