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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

moenda (Piero Eyben)


deitas a pele, o braço e
à marca – leve pluma
de tinta – o rosto reveste
o calor de dias.

cantas-te a flama ainda
pérola, estampido –
hora extinta, promessa –
calando a foz.

móis o sem tido da
palavra – encalacrada –
forrada de fora e
colina.

assim, rubra, tua língua –
um outono de distância,
flor, deixada – sopra o
infindo penhor.

às lentes, rútila sílaba
feita, brisa e alvoroço, de
onde vejo e me
vês, revolto.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

sopro a mais (Piero Eyben)

um passo de flor,
estancas – e sub
mersa em falas, nós
e dons.

teus olhos, como que
pedras, de fato, a
pele, os músculos,
tensionados.

arranhas o tecido
solar, do dito de
pássaro e só canto
vagas e oblíqua, lenta

o silêncio se vai, vão-
se os cravos enlevados
golpeiam e inundam
cada vaso, cada átrio.

um passo de flor, sem
narcisos, sem sépalas –

o que resta de pulmão
de onde cessas, sopras.

carne despida, rumor
em que fogem os
sonhos, o lume, a
noite e o escuro.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

supões o tempo (Piero Eyben)

quando calar, a língua
ainda oscilará e, logo,
minha voz arrefece o
amor – fraca conjuntura –
disso que recende o
oco o voo o vão para deitar
em ti o que me basta –
oblíquo instante sobre a
face, sobre o colo que não
mais.

quando calar o tempo
ainda será uma palavra
em esboço, do que poderia,
em tábua, a gravura disso
que é noite – e não basta –
e pele, extrema calma
de sopro.

quando calar esse nós,
o dia claro, essa palavra
será termo e, extensa,
o corpo deixado
de barro ou só
para outro
tempo.