Tenho tudo o que não quero.
Perder não é senão o intervalo
entre aguardar e nada ter.
(Que melodia é esta
que povoa o espaço em meu redor?)
Tenho tudo. Nada quero.
O coração desconhece
o compasso que amanhece
tudo em torno.
No entanto
meus passos seguem
- no encalço de quê?
Tenho tudo: a noite abrigada em meu peito
a música de meus passos
a relva o caminho
a distância
coberta por inesquecível melodia.
Não quero mais do que tenho.
(Um canto flutua no ar vazio.)
Tenho tudo: os pássaros que me fogem dos olhos
para saudar
no horizonte
a úmida manhã que principia.
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
domingo, 19 de fevereiro de 2012
A paixão segundo Camões (Carlos Felipe Moisés - 1942)
Transforma-se o amador em coisa alguma,
sem dolo, sem virtude, sem razão.
Por muito amar, dispersa o coração,
e rói daquilo que é a alma nenhuma.
As esperanças perde, uma a uma,
de decifrar o rosto da paixão.
Sem rumo, ilhado entre o sim e o não,
perde-se no amor de um mar sem espuma.
Transforma-se o amador em coisa errante,
atira ao vento um grito enrouquecido
e busca se encontrar na coisa amada.
A pele rota, o gesto vacilante,
transforma-se, de amar como um perdido,
em sombra de si mesmo, ausência, nada.
sem dolo, sem virtude, sem razão.
Por muito amar, dispersa o coração,
e rói daquilo que é a alma nenhuma.
As esperanças perde, uma a uma,
de decifrar o rosto da paixão.
Sem rumo, ilhado entre o sim e o não,
perde-se no amor de um mar sem espuma.
Transforma-se o amador em coisa errante,
atira ao vento um grito enrouquecido
e busca se encontrar na coisa amada.
A pele rota, o gesto vacilante,
transforma-se, de amar como um perdido,
em sombra de si mesmo, ausência, nada.
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