E agora, mulher,
Que soltou seus freios,
Que saiu dos eixos.
E agora, camélia,
Sua carne manchada,
Transada, se salva?
E agora, o pecado
Tão moderno e quente
Vai ter Happy-end?
E agora, mulher,
Você vai poder
Pisar firme e reta?
Borboleta bêbada
De vinho e desejo,
Depois desta entrega.
Depois deste incêndio,
Cadê seu sossego,
Cadê seu roteiro?
E agora, mulher,
Que você aborta,
Que você desbunda.
E que arromba portas
Erguendo um revólver,
E que faz negócios.
E que puxa fumo,
Você desconfia
Que tudo é um gemido?
E agora, mulher,
Nordestina, escória,
Que virou carioca?
Que virou miragem,
Robô, operária,
Puta e favelada?
Tão trivial e exposta
Ao consumo e à sorte
De uma coisa morta?
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Poema para o filho que se casa (Yone Giannetti Fonseca - 1929)
Que este sonho inaugurado
Em tua carne, em teus atos,
Não se dissolva, abstrato,
Ao contato dos cactos.
Que este intervalo de orvalho
Em teu sorriso espelhado,
Mesmo exaurido, restaure
Futuras noites de barro.
E nas urgêncvias vividas
Em teu sonhar acordado,
Um pouco, muito persista
Desta brasa, desta brisa.
Que do sonho consumado
Nos embaraços dos laços,
Reste um desfrute de vida
Como fruto da saudade.
Em tua carne, em teus atos,
Não se dissolva, abstrato,
Ao contato dos cactos.
Que este intervalo de orvalho
Em teu sorriso espelhado,
Mesmo exaurido, restaure
Futuras noites de barro.
E nas urgêncvias vividas
Em teu sonhar acordado,
Um pouco, muito persista
Desta brasa, desta brisa.
Que do sonho consumado
Nos embaraços dos laços,
Reste um desfrute de vida
Como fruto da saudade.
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